O Pantanal é o destino dos sonhos para amantes da pesca esportiva. Entre as centenas de espécies que habitam suas águas, uma se destaca pela força, saltos acrobáticos e beleza: o Dourado (Salminus brasiliensis).

Neste artigo, vamos explorar as características, o comportamento e as leis que protegem este gigante dos rios brasileiros.

 

Características

Estima-se que a planície pantaneira abrigue cerca de 300 espécies de peixes. O Dourado é um dos maiores e mais cobiçados.

  • Classificação: pertence à ordem Characiformes, a mesma de peixes como a piranha e o pacu.
  • Aparência: possui escamas de cor dourada intensa com um pequeno risco preto em cada uma, formando linhas horizontais da cabeça à cauda. Suas nadadeiras têm tons alaranjados.
  • Porte: é um peixe de grande porte, podendo atingir 1,30 metro de comprimento e pesar mais de 25 kg.
  • Onde encontrar: é nativo da Bacia do Prata (rios Paraná, Paraguai, Uruguai e seus afluentes). Embora existam outras espécies de Salminus em bacias como a do Amazonas e do São Francisco, o S. brasiliensis é o protagonista do Centro-Oeste e Sul do Brasil.

 

Por que ele é o “Rei do rio”?

O título não é por acaso. O Dourado é um predador de topo, ocupando um papel vital no equilíbrio do ecossistema.

Curiosidade: sua agressividade e dentes afiados são voltados para a caça de outros peixes (como o curimbatá). Embora existam relatos folclóricos de ataques a humanos, eles são extremamente raros e geralmente ocorrem de forma acidental em situações de águas turvas ou defesa.

 

Reprodução

O Dourado é uma espécie reidroma (que realiza migrações para se reproduzir).

  1. Maturidade: machos estão prontos para reproduzir por volta de 1 ano, enquanto fêmeas levam cerca de 2 anos.
  2. Dimorfismo Sexual: as fêmeas tendem a ser significativamente maiores que os machos.
  3. A Piracema: entre outubro e janeiro, os cardumes nadam rio acima (em direção às cabeceiras) para a desova. Esse esforço físico é essencial para o desenvolvimento dos ovos.

 

Conservação do Dourado

Em 2009 o município de Cáceres, no Mato Grosso, foi o pioneiro na proibição da pesca do dourado, sendo permitido apenas a pesca e soltura do peixe de volta à natureza.

Em 2012, o Estado de Mato Grosso regulamentou a proibição, sendo seguido pela cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Então, em 2019, a lei se estendeu para os dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Atualmente, as leis que proíbem a pesca do dourado são:

  •       Lei nº 12197 de 20/07/2023, de Mato Grosso, que proíbe a pesca por cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2024;
  •       Lei nº 5.321 de 10/01/2019, de Mato Grosso do Sul, que estabelece uma moratória de cinco anos para a pesca do dourado, com prazo final em dezembro de 2024, prorrogada até 31 de março de 2027.

Ameaças à espécie

Além da pesca predatória, o Dourado enfrenta desafios como:

  • Mudanças climáticas e secas severas no Pantanal.
  • Construção de barragens, que impedem a migração durante a piracema.
  • Poluição dos leitos dos rios.
A proteção do dourado é essencial não apenas para garantir a sobrevivência da espécie, mas também para preservar inúmeros outros organismos que dependem dele, já que é considerado uma espécie guarda-chuva. Como predador de topo, sua conservação fortalece todo o equilíbrio ecológico dos rios pantaneiros, assegurando que diversas outras espécies também continuem existindo.