O Pantanal abriga pelo menos 10 frutos comestíveis consumidos por comunidades locais e pela fauna do bioma, de acuri e bocaiúva a jatobá e guavira. Ricos em vitaminas e minerais, esses frutos do Pantanal têm papel central na culinária regional e na sobrevivência de espécies da fauna como a Arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus). O bioma reúne entre 2.500 e 3.500 espécies vegetais, com influências do Cerrado e da América do Sul como um todo.

Neste artigo, você vai conhecer 10 frutos comestíveis do Pantanal que fazem parte do dia-a-dia das comunidades locais e da dieta de diversos animais da região. Alguns são pouco conhecidos fora do bioma, mas surpreendem pelo sabor e pelos benefícios. Confira!

Frutos do Pantanal: conheça as 10 espécies mais importantes

 

1. Acuri (Scheelea phalerata ou Attalea phalerata)

SOS PANTANAL Descubra 10 espécies de frutos comestíveis do Pantanal

Foto: Francisco de Aragão Junior

É um fruto parecido com um coquinho, que dá em cachos na palmeira-acuri e desempenha um papel fundamental na culinária tradicional e na subsistência de comunidades do Pantanal e Cerrado. É um dos principais alimentos da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) pantaneiras.

Frutifica de outubro a fevereiro.

Da palmeira, aproveitam-se a polpa, as amêndoas e o palmito.

2. Araticum (Annona coriacea)

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Foto: Etore Santos, CC BY 3.0 via Wikimedia Commons

Também conhecido como ata ou fruta-do-conde, o araticum também ocorre no Cerrado e em outros biomas brasileiros. 

A polpa é consumida fresca ou em forma de doces, geleias, sucos, licores, tortas e sorvetes. A polpa é rica em vitamina C, fonte de magnésio e de pigmentos carotenoides. É popularmente utilizada por suas propriedades antidiarreicas, principalmente o consumo de suas sementes.

Frutifica de novembro a fevereiro.

3. Bocaiúva (Acrocomia aculeata)

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Foto: Tiago Firmino Boaven, CC BY 3.0 via Wikimedia Commons

Conhecida popularmente como macaúba ou coco-de-espinho (devido aos espinhos em seu tronco), seu fruto tem alto valor nutritivo e é rico em cobre e carotenoides. A amêndoa é rica em óleo, proteínas, fibras e minerais como cobre, fósforo, magnésio e potássio.

Diversos animais se alimentam de seu fruto, tais como araras, cotias, capivaras, antas e emas.

Frutifica entre outubro e janeiro.

4. Água-pomba (Melicoccus lepidopetalus)

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Foto: Reprodução CG News

A pitomba-do-Pantanal ou ivapovó é uma árvore nativa do Cerrado e Pantanal, que atinge de 10 a 15 metros de altura. Produz frutos comestíveis de sabor doce e polpa rosado-alaranjada, consumidos in natura, em sucos ou doces.

Sua semente não é comestível, portanto, precisa ser retirada.

Frutifica de outubro a janeiro.

5. Pequi (Caryocar brasiliense)

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Foto: Arley da Cruz, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

É um fruto típico do Cerrado, mas muito encontrado e consumido no Pantanal. Seu nome, em tupi, significa “pele espinhenta”.

Possui uma casca verde e, em seu interior, um caroço revestido por uma polpa comestível macia e amarela. Por baixo da polpa há uma camada de espinhos muito finos, sendo necessário extremo cuidado para roer o pequi cozido.

Ainda, por baixo dos espinhos, há uma amêndoa macia e saborosa.

Frutifica entre novembro e janeiro.

6. Buriti (Mauritia flexuosa)

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Foto: Paulo Robson de Souza, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O buriti pode ser encontrado em terrenos alagáveis e brejos, além das veredas do Cerrado. Curiosamente, existem buritis machos e fêmeas. Os machos produzem cachos que, consequentemente, produzem flores, enquanto as fêmeas produzem flores que se transformam em frutos.

A polpa do fruto é alaranjada e saborosa, contendo um caroço. Para que sejam colhidos, os buritis precisam estar maduros e caídos no chão.

Frutifica entre agosto e fevereiro.

7. Manduvi (Sterculia apetala)

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Foto: Bernard DUPONT from FRANCE, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Conhecido como amendoim-de-bugre, amendoim-de-arara, xixá e chichá, o manduvi é um típico fruto do Pantanal muito consumido por diversas espécies de aves, especialmente a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus). Além de comestível, o manduvi (Sterculia apetala) tem um importante papel ecológico: 94% dos ninhos da arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) no Pantanal são feitos em cavidades naturais desta árvore.

As sementes, ou castanhas, são a parte comestível do fruto, sendo de sabor leve, adocicado e agradável. Podem ser consumidas torradas, cozidas, em doces ou paçocas, além da utilização como farinha.

Frutifica de maio a outubro.

8. Guavira (Campomanesia spp.)

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Foto: percursodacultura, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

A guavira é um fruto especial para Mato Grosso do Sul, tendo se tornado fruto símbolo do Estado em 2017. A guavira, guabiroba ou gabiroba é suculenta, de casca fina e amarela, consumida na colheita ou em receitas como geleias e licores.

Representa importância na agricultura familiar, principalmente na região da Serra da Bodoquena. São ricos em vitamina C, também são considerados ricos em cobre e zinco.

Frutifica entre novembro e janeiro.

9. Ingá (Inga vera)

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Foto: João Batista Shimoto, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Também conhecido como ingá-banana, ingá-do-brejo e ingá-ferradura, o ingá possui uma polpa branca que envolve a semente e é consumida principalmente in natura.

Os frutos brancos de sabor adocicado, são consumidos naturalmente ou na forma de refrescos, geleias, doces e licor.

Sua frutificação ocorre entre fevereiro e abril.

10. Jatobá (Hymenaea courbaril)

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Foto: Diogo Kanouté, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O jatobazeiro é considerado um patrimônio sagrado brasileiro devido à sua utilização em momentos de meditação por povos originários.

Ainda hoje, é muito utilizado para alimentação. Possui casca dura e em média duas sementes por fruto. No interior, a polpa é um pó verde amarelado com forte odor, que é comestível. A polpa é rica em ferro e é indicada para pessoas com anemia. A casca também é aproveitada para chá.

É uma planta com uso medicinal e pesquisas recentes indicam que compostos do jatobá apresentam atividade antitumoral in vitro. A seiva do jatobá é obtida por meio da perfuração do tronco e é utilizada tradicionalmente como remédio.

Além disso, utiliza-se muito sua farinha como fonte de vitaminas.

Frutifica de junho a agosto.

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