Como chegaremos à COP31? SOS Pantanal debate o Manejo Integrado do Fogo
O SOS Pantanal esteve em Bonn, na Alemanha, participando das “June Climate Meetings (SB64)”, negociações climáticas oficiais da ONU, realizadas entre 8 e 18 de junho de 2026, no caminho rumo à COP 31 em Antalya, na Turquia. O Instituto levou discussões de alto nível ao cenário internacional do Manejo Integrado do Fogo.
Especialistas consideram essa pré-conferência um momento oportuno para que os governos sinalizem compromissos concretos com a redução de emissões e a transição energética rumo a um futuro de baixo carbono.
O evento marca uma continuidade do ciclo de negociações climáticas que começaram no ano anterior, durante a última edição da Conferência, avançando até a próxima COP, que será realizada ainda este ano, em Antalya, na Turquia.
Em 2025, o SOS Pantanal participou da COP 30 em Belém, no Brasil. Levamos o bioma para o centro do debate climático, com destaque para o Manejo Integrado do Fogo.
Por que o Manejo Integrado do Fogo está no centro das negociações climáticas
O Manejo Integrado do Fogo entrou para o hall de discussões climáticas com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Para a organização, fortalecer sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes é fundamental para enfrentar os impactos cada vez mais severos dos eventos climáticos extremos, cuja frequência e intensidade vêm aumentando nos últimos anos. Por isso, temas como agricultura, água, florestas e sistemas alimentares seguem no centro das negociações climáticas.
Na COP 30, a atuação da FAO contribuiu para iniciativas adotadas pela Presidência da Conferência, como a “Convocatória para a Ação no Manejo Integrado do Fogo”, apoiada inicialmente por 62 países na COP 30 e já endossada por 67 países e quatro organizações internacionais até 2025.
A diretora-adjunta de florestas da FAO, Amy Duchelle, destacou que a COP 30 deu visibilidade à necessidade de enfrentar o aumento extremo de incêndios, que é uma das manifestações mais evidentes da crise climática.
Contribuições do SOS Pantanal no Manejo Integrado do Fogo
O Manejo Integrado do Fogo tem sido o principal tema de discussão do SOS Pantanal nas COPs. Na COP 28 (Dubai, 2023), o SOS Pantanal apresentou o Sistema Aracuã, ferramenta de monitoramento de focos de incêndio, no painel “Early Warning Systems” da Organização Meteorológica Mundial (WMO).
Na COP 29 (Baku, 2024), a organização mediou um painel oficial no pavilhão do Brasil sobre Manejo Integrado do Fogo nos biomas brasileiros e participou de um debate sobre lideranças climáticas.
Em 2025, pela primeira vez, o Manejo do Fogo foi tratado com maior destaque nas COPs. Durante a Cúpula do Clima de Belém, no Brasil, às vésperas da COP 30, o Brasil deu visibilidade ao “Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais”. O documento convida os países a substituir a lógica da resposta emergencial por estratégias de prevenção, preparação e uso ecológico do fogo, combinando Ciência, tecnologia e saberes de povos indígenas e comunidades locais.
Ainda, durante a COP 30, o SOS Pantanal organizou a mesa a “Manejo Integrado do Fogo e NDCs: Conexão entre Gestão Territorial e Ambição Climática”, um painel para discutir como o manejo integrado do fogo contribui para o cumprimento das NDCs, incluindo a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instrumento brasileiro para reduzir emissões de gases de efeito estufa decorrentes da mudança no uso do solo.
Em março de 2026, na COP15 para a Conservação das Espécies Migratórias, em Campo Grande (MS), o SOS Pantanal destacou seu trabalho de formação de brigadas de incêndio e restauração de áreas degradadas como essenciais para a proteção das espécies que utilizam o bioma em sua rota de migração.
Agora em 2026, em Bonn, a discussão seguiu para a etapa de concretização de ações: como sair do compromisso e chegar à implementação em escala, antes da COP 31, marcada para novembro.

Bonn: da ação à implementação em escala
O painel partiu de uma proposta do SOS Pantanal e foi construído em conjunto com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a organização Uma Gota no Oceano e o Hub Global de Manejo do Fogo, da FAO.
Participaram da discussão: Gustavo Figueirôa (Diretor de Comunicação e Engajamento do SOS Pantanal), Ane Alencar (Diretora de Ciência do IPAM), Mirey Atallah (UNEP/GFMH), Bruna Cerqueira (Presidência da COP30), Hamzah Keshin (Presidência da COP31) e Eileen M. Cunningham (ponto focal da UNFCCC para Povos Indígenas).
Intitulado “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), o painel apresentou as tendências globais do fogo e os dados de emissões, ao lado de experiências práticas de manejo conduzidas em diferentes territórios, incluindo iniciativas lideradas por organizações da sociedade civil e por comunidades locais. Além disso, discutiu sobre a cooperação internacional entre organizações e governos, no papel do Hub Global de Manejo do Fogo e nas oportunidades de financiamento e governança para escalar essas soluções nos próximos anos.
Em 2020, o Pantanal sofreu o maior incêndio de sua história: mais de 3,9 milhões de hectares consumidos pelas chamas. Desde então, o SOS Pantanal vem estruturando sistemas de treinamento, prevenção e aplicação das diretrizes de Manejo Integrado do Fogo no bioma. A atuação da organização conecta conservação, ciência e políticas públicas, com presença em três COPs consecutivas (2023–2025) e participação em painéis oficiais da UNFCCC.
Acompanhe os desdobramentos das negociações rumo à COP 31 em nosso site e redes sociais. Para apoiar diretamente o trabalho do SOS Pantanal no bioma, acesse aqui.







