A 15° Conferência das Partes das Espécies Migratórias (COP 15 CMS), que acontece pela primeira vez no Brasil, será realizada entre os dias 23 e 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS), e deve atrair atenção internacional para o Pantanal. Diferente da COP 30, realizada em Belém (PA) em 2025, esta COP é voltada especificamente à conservação das espécies migratórias, reunindo países para apresentar avanços, propor medidas de cooperação e construir entendimentos comuns. O destaque ao Pantanal se deve ao fato de que centenas de espécies migratórias utilizam o bioma em determinadas épocas do ano para alimentação e reprodução, reforçando sua importância para a manutenção das rotas migratórias e dos ciclos de vida dessas espécies.

O que é migração?

Antes de entender por que é necessária uma COP para espécies que migram de um local a outro, é importante compreender a migração.

A migração de espécies pode ser descrita como um deslocamento em massa pelo qual os animais se dirigem de um local a outro. Este deslocamento pode ser temporário ou permanente. A Convention on Conservation of Migratory Species (CMS, 2008) considera espécies migratórias como “o conjunto da população ou partes geograficamente isoladas da população, de algumas espécies ou grupo taxonômico de animais silvestres, do qual uma parcela significativa atravessa uma ou mais fronteiras da jurisdição”.

A maioria das migrações ocorrem por conta da disponibilidade de recursos para a sobrevivência da espécie em determinado local. Por exemplo, na época de invernos rigorosos no hemisfério norte, diversas espécies migram para o hemisfério sul em busca de alimento e temperaturas mais amenas, como a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o falcão-peregrino (Falco peregrinus), considerado o animal mais rápido do planeta, capaz de atingir cerca de 300 km/h. 

Afinal, por que uma COP para espécies migratórias?

Desde 1979 há a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, também conhecida como Convenção de Bonn, que é um tratado ambiental das Nações Unidas que estabelece uma plataforma global para a conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas de deslocamento ao longo de toda a sua área de distribuição.

Atualmente, apenas 133 países são signatários do acordo, abrangendo África, Américas Central e do Sul, Ásia, Europa e Oceania. Ao todo, a CMS debate sobre 1.189 espécies migratórias distribuídas no mundo, e que fazem parte das discussões, distribuídas entre 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 espécies de peixes, 10 répteis e 1 inseto. 

O relatório sobre o Estado Mundial das Espécies Migratórias , lançado em 2024 na COP 14, no Uzbequistão, constatou que 22% destas espécies listadas na CMS estavam globalmente ameaçadas e 44% estavam sofrendo declínios populacionais globais, uma proporção maior do que aquelas com tendências populacionais estáveis ​​(31%) ou crescentes (12%). 

Iniciativas para mapear migrações no mundo estão ganhando impulso: a BirdLife International busca identificar e mapear importantes rotas migratórias de aves marinhas, além da Iniciativa Global sobre Migração de Ungulados (GIUM, na sigla em inglês) e o Sistema de Conectividade Migratória no Oceano (MiCO, na sigla em inglês).

Destaca-se também o progresso de pesquisas que identificam e protegem habitats importantes e corredores migratórios. Até o momento, 9.372 áreas-chave para a biodiversidade (KBA, na sigla em inglês) foram mapeadas, mostrando que apenas pouco mais de 50% delas já possuem alguma proteção.

Promover o diálogo entre os países é primordial para a conservação destas espécies migratórias, que dependem de seus habitats protegidos em todos os territórios que estão na rota de migração. 

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