O Pantanal enfrenta uma das crises climáticas mais severas de sua história. Secas recordes, incêndios devastadores e ondas de calor cada vez mais intensas colocam em risco a biodiversidade, as comunidades e a economia da região. Mas as políticas públicas existentes estão à altura desse desafio?
Para responder a essa pergunta, nos debruçamos sobre os principais dados do Política Climática por Inteiro 2025, análise técnica independente que avalia o alinhamento do Brasil às suas metas climáticas, a implementação das políticas públicas na prática e os riscos econômicos e sociais da inação.
O que o monitoramento revela
O Instituto Talanoa analisou 41 áreas de políticas públicas relacionadas ao clima no Brasil. Um avanço concreto foi a seleção de 581 municípios prioritários para elaborar planos locais de adaptação em 2026. No Pantanal, apenas cinco municípios foram incluídos: Barão de Melgaço (MT), Cáceres (MT), Corumbá (MS), Poconé (MT) e Porto Murtinho (MS).
O Plano Clima, equivalente ao Plano Nacional de Adaptação, estrutura 12 metas nacionais, 312 metas setoriais, 830 ações e 16 planos setoriais de adaptação. Entre os objetivos estabelecidos estão a redução para 7,5% dos municípios com insegurança hídrica, a proteção de 4 milhões de pessoas expostas a enchentes e deslizamentos, e a ampliação em 180 mil hectares da cobertura vegetal urbana.
Escassez hídrica: o alerta para 2030
O Centro-Oeste já é a região mais atingida por períodos prolongados de seca, e a escassez hídrica figura como prioridade na Estratégia Nacional de Adaptação. Dados da plataforma Adapta Brasil indicam que quase 60% dos municípios brasileiros podem enfrentar escassez hídrica até 2030, em um cenário considerado “otimista”, e que 89% dos 5.570 municípios terão risco alto ou muito alto para ondas de calor.
Para o Centro-Oeste, as principais ameaças projetadas incluem o aumento consistente das temperaturas médias, máximas e mínimas; a intensificação das ondas de calor; maior frequência e duração das secas; e tendência de aumento de incêndios associada ao calor extremo. Também até 2030, o risco de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, é projetado como alto ou muito alto na maior parte da região.
Diagnóstico claro, ação urgente
O relatório apresenta verdades difíceis de ignorar. Mas há também um avanço significativo: hoje existe um diagnóstico estruturado, metas estabelecidas e um Plano Clima em vigor. O Política Climática por Inteiro 2025 é um instrumento fundamental de monitoramento e transparência para o país. O desafio agora é transformar plano em ação, e o Pantanal não pode esperar.
Acesse o estudo completo e aprofunde sua leitura: Política Climática por Inteiro 2025 →
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